meu outro hobby.

 

Um dos meus hobbies é colecionar nomes. Sempre tive memória excelente para nomes de pessoas da minha turma e sabia o nome e o sobrenome de todos os alunos, não importa o quanto mudava a chamada. Ironicamente, eu sou péssima pra lembrar o nome de pessoas que eu acabei de conhecer, ainda mais quando essas são pessoas de países com nomes “exóticos” para mim, mera brasileira.

Mas tenho memória boa para rostos. Na verdade a minha memória para nomes também é visual, daí a dificuldade de lembrar nomes de pessoas estrangeiras quando eu não sei como são escritos. Um exemplo da minha memória visual para nomes é que eu morei com uma Lyvia, conhecida carinhosamente como Lyvão (ela é alta, relativamente) e tenho uma amiga mais antiga, Lívia, também conhecida por alguns como Livão. Na minha cabeça nunca existia confusão entre as duas porque afinal, uma é LYvia e a outra LIvia, oras. Mas muitas vezes eu confundia meus ouvintes quando mencionava o nome de uma delas, pois eles não sabiam de qual Livão/Lyvão eu estava falando.

Mas voltando ao meu hobby, depois de alguns anos (e muitos artigos científicos) eu passei a colecionar sobrenomes estranhos de citações no texto. Eu sei, hobby de nerd, mas não consigo evitar, eu faço lista dessas coisas (outra mania minha é fazer listas de coisas curiosas).

Esses dias eu li uma citação do Friend. WG Friend trabalha com hemípteros hematófagos na universidade de Toronto. Parece que tem vários outros Friend no meio científico (eu procurei). Imagina se chamar Fulano de Tal Amigo? Ou Sicrano Colega?

Skoog (não lembro as iniciais) trabalha em Wisconsin mas o nome tem origem sueca (acho). Já RG Death trabalha com invertebrados marinhos na Nova Zelândia e tem um nome mais infeliz. Todo mundo já ouviu falar do sobrenome português Boa Morte, mas ler um artigo dizendo que Death (1988) afirmou tal e tal coisa dá um peso extra ao argumento.

Mas o mais legal de todos é o K. Yoda! Fui procurar de onde viria Yoda e achei um monte de gente com esse sobrenome no Japão. Aí eu parei para refletir e, realmente, Yoda soa como japonês, e provavelmente é essa a origem. Eu deveria ter percebido, mas para a geração que cresceu com Guerra na Estrelas (ou que tem irmãos mais velhos que ficavam te fazendo assistir aos filmes e que tinham todos os bonecos e naves do filme) é impossível ler Yoda e não pensar no mestre jedi verde.

E se o Yoda falou, tá falado.

novela.

O cara do Uzbequistão do meu lab me contou que ele assistiu a uma parte de "O Clone" no canal russo do país dele. Ele me disse que não gostou e que ele também conhece a "Ruth e a Rachel".

Caramba.

(Tá, eu sei que novelas brasileiras passam em muitos países, mas Uzbequistão foi surpreendente, pra mim, pelo menos)

a defesa.

Defesas de tese variam de lugar para lugar e de pessoa para pessoa, assim como a comemoração. Tem gente que vai pro bar com os amigos, tem gente que faz churrasco, tem gente que sai pra comer apos a defesa, tem gente que dá festa... me falaram até que na química da Unesp Araraquara a pessoa que vai defender não faz nada, são os amigos do laboratório que organizam a festa pós-defesa (o que é legal, visto que é um dia de muita tensão para o mestrando/doutorando).

Por aqui ainda não descobri muito como funciona, mas um cara do meu grupo explicou que a festa é por conta do aluno que tá defendendo e que depende de quantos amigos você tem (ele me explicou isso de uma forma tão trágica, que fiquei pensando que deve ter gente que não comemora apos defender por falta de amigos). O máximo que o pessoal do instituto faz é criar um capelo (aquele chapeuzinho do formando) de cartolina, decorado com fotos e desenhos que tem a ver com a tese da pessoa. Já vi capelo decorado com um fio de tubinhos eppendorf ou ponteiras de pipeta.  Toda vez que um aluno defende, sai a foto dele (ou dela) com o seu capelo personalizado no boletim mensal do instituto.

Mas não era desse tipo de festa ou defesa que eu queria falar (mesmo porque acabei de começar, tá muito longe pra pensar na minha). Eu queria falar das defesas de tese do departamento de "química bio-orgânica" (traduzindo literalmente o nome) daqui do instituto. Lá, além do aluno fazer o capelo personalizado, eles têm uma cadeira decorada montada num carrinho que parece um mini carro alegórico de carnaval de interior. Quando alguém do departamento "química bio-orgânica" defende tese, o aluno senta na cadeira/carro alegórico e o chefe do departamento (que é o orientador da pessoa e que parece o papai noel) empurra o aluno no carro por todo o instituto. Eles são seguidos por um cortejo de todas as pessoas do departamento deles fazendo um "panelaço", só que em vez de panelas eles pegam qualquer instrumento do laboratório que possa fazer barulho, de pinças a suporte de funil de separação a caixas de isopor.

 

Assim, esse cortejo sai entrando em todos os outros departamentos do instituto, passando pelos laboratórios e pelos escritórios, fazendo um estardalhaço pra anunciar a mais nova defesa do grupo. Ah, e o aluno(a) sentado na cadeira distribui balas e chocolates para as pessoas que encontra no caminho, então todo mundo dos outros departamentos que escuta o cortejo se aproximar vai correndo pegar os doces e da para escutar o cortejo percorrendo as diferentes partes do instituto.

Achei muito maneiro. Ainda mais porque é sempre o orientador que faz questão de empurrar o aluno pelo instituto inteiro. Faz a defesa parecer um ritual (não deixa de ser, eu acho) e não passar em branco como o caso das pessoas com poucos amigos que falei lá em cima.

Preciso tirar uma foto disso um dia.

 

sonho de consumo.

Ontem achei caixa de leite de 0,5L no supermercado. Fiquei muito feliz.

Para pessoas como eu, que tomam pouco leite e moram sozinhas, o leite sempre estraga antes de acabar a caixa. Eu tomo leite principalmente com chá preto de manhã e esporadicamente tomo um café com leite então sempre fiquei me sentindo mal com o gasto de dinheiro e desperdício de comida que eu fazia ao comprar 1L de leite que invariavelmente estragava antes de ser todo consumido.

(essa é a parte do texto em que minha mãe vai me dar uma bronca por não tomar muito leite para previnir osteoporose e para eu quando eu tiver filhos)

Só queria deixar registrada a minha alegria.

***
 Ainda estou aprendendo a conviver com as pequenas diferenças na comida, que contribuem em grande parte para a identidade de um lugar. Aqui o creme de leite é menos doce e a consistência é quase a de um iogurte (e não, eu não comprei iogurte sem querer, eu sei ler). Não tem arroz igual ao nosso, mas tem arroz indiano (basmati rice) que é mais fininho e cozinha bem mais rápido. Eu acho que o frangos são menores (ou isso ou estou muito esfomeada esses dias). Os pés de alface são menores. As batatas são quase sempre vendidas em sacos de um kilo (as cebolas também), tipo aqueles sacos de laranja e é difícil achar batata "avulsa" sem ser em feira. Esse tipo de coisa...

v = w?

Tá, várias pessoas (se não todas) já sabem que alemães pronunciam o V como F e o W como V. Assim, VolksWagen na verdade se pronuncia como "FolksVagen". O que eu não entendo é porque todos os nativos, sem exceção1,2, quando conversam em inglês falam o V como se fosse W. Por quê?

 

Assim, no artigo tal, eles pretendem “eWaluate” o parâmetro x para testar a hipótese y. A nervura central da folha vira “midWein”. Na aula de inglês eles aprendem os “adWerbs”. Não entendo a lógica da troca, mas todos a fazem. O engraçado é que acho que só acontece com os Vs no meio da palavra, porque eles conseguem falar “very” corretamente. Vai entender.

 

O curioso também é que eu vejo pessoas não alemãs que trabalham no instituto e que também trocam o V com o W, e tenho certeza que é por influência da maioria alemã do laboratório.

 

1 Bom, talvez com exceção da professora de alemão, mas não garanto nada.

2 Sim, eu escrevo com notas de rodapé, é mais simples para organizar o raciocínio. Ou talvez eu leia textos científicos demais.

Microondas-forno

A cozinha comunitária do alojamento tem dois fornos que funcionam como forno convencional1 ou como microondas2, dependendo da opção escolhida. Isso me incomoda por um simples motivo: quando se coloca algum utensílio de metal no microondas ele não reclama (solta faísca, estraga, etc)? Como que o microondas-forno não reclama quando uso a função microondas, mesmo tendo as grades (grelhas?) de um fogão lá dentro?

 

Por via das dúvidas, não coloco nada de metal (além da grelha/grade) quando uso o microondas. Alguém que sabe física pode me explicar? (Lindo?)

 

1 Em alguma época forno convencional seria forno à lenha e não a gás/elétrico

2 Não sei escrever microondas com as novas regras gramaticais (mudou? não mudou? eu escrevi certo?)